Transplante de Córnea

Foto cirurgia: Transplante de Córnea
Embora o primeiro transplante de córnea tenha sido feito há mais de 100 anos, o primeiro sucesso consistente somente foi alcançado pelos Dr. Castroviejo e Dr. Bom nos anos cinqüenta. O transplante de córnea é o mais próspero de todos os transplantes de tecido. A córnea é o tecido transparente que fica na frente do olho, no centro. Atrás dela encontra-se a íris, ou porção colorida do olho. A córnea serve para dois propósitos: 1º) contribuir para a formação da parede anterior do olho; 2º) com sua forma encurvada e por ser transparente, funciona como uma lente convergente, desviando a luz incidente em direção à retina (membrana sensível à luz situada na parte de trás do olho). Várias doenças oculares podem debilitar a córnea, causando a perda de sua transparência, ou irregularidade de sua forma ou superfície. A córnea danificada pode ser substituída com uma córnea saudável de uma pessoa falecida. Este procedimento de substituição da córnea é chamado "transplante corneano” ou "ceratoplastia penetrante”. Estas páginas descrevem a cirurgia de transplante córnea. Busca-se fornecer informação suficiente, para proporcionar amplo esclarecimento sobre o assunto, porém não substitui as discussões com seu oftalmologista, antes e depois da cirurgia. Se você tiver perguntas adicionais, por favor, faço-nos. É importante que você leve tanto tempo quanto for preciso para entender sua condição e possíveis tratamentos.

Córnea doadora

A córnea, a ser transplantada, provém de um banco de olhos. O processo começa com a morte de alguém, que foi generoso o bastante para doar seus olhos. O banco de olhos testa a córnea do doador, para identificar qualquer doença, que poderia ser transmitida ao receptor. Somente após todos os exames serem confirmados negativos, as córneas doadoras são disponibilizadas para o banco de olhos distribuir entre os pacientes que aguardam na lista de espera. O banco de olhos, normalmente, cobra uma pequena taxa pelo processamento e conservação da córnea. É a política de todo banco de olhos, que o doador permaneça anônimo. Não há incompatibilidade entre doador e receptor no que diz respeito ao sexo, raça, ou erro de refração. A cor do olho do doador também é irrelevante, porque somente a cúpula transparente, na frente do olho, é substituída, e não a íris colorida atrás.

Indicações

Os transplantes corneanos são feitos para melhorar a visão, aliviar a dor e tratar doenças corneanas, proteger as estruturas internas do olho ou para melhorar a estética. Várias doenças do olho são causadoras de danos irreversíveis a córnea. O transplante, muitas vezes, é capaz de restaurar a transparência corneana perdida, em decorrência destas doenças. Perfurações oculares por faca, vidro, lápis e outros objetos pontiagudos, queimadura ocular térmica ou por substâncias químicas podem causar dano severo para a córnea. Bactérias, vírus, e infecções fúngicas são causas freqüentes de ulcerações da córnea. A protusão e afinamento corneano severo provocado pelo ceratocone, a descompensação corneana ocasionada pela cirurgia de catarata, alterações degenerativas decorrentes do envelhecimento e anormalidades corneanas herdadas (distrofias) podem conduzir a turvação da córnea e perda de visão.

Pré-Operatório

Atesta-se se o paciente está bem de saúde o bastante para ser submetido à cirurgia, por meio de um exame médico geral e laboratorial de rotina. Medicamentos tipo Aspirina não devem ser usados durante 2 semanas antes da cirurgia, uma vez que tendem a aumentar o sangramento durante a cirurgia. Geralmente são utilizados colírios de antibiótico, para proteger o olho de alguma infecção, um dia antes da cirurgia. É importante não comer ou beber qualquer coisa 6 horas antes da cirurgia. Na maioria dos casos, a cirurgia pode ser feita de forma ambulatorial. No centro cirúrgico é feita uma sedação no paciente. Um pequeno peso é colocado no olho fechado por 20 minutos para diminuir a pressão do olho. Se necessário a diminuição da pressão intra-ocular e conseguida utilizando-se droga endovenosa. Podemos usar anestesia local ou geral, dependendo da idade, saúde geral, duração da cirurgia e da preferência paciente. A anestesia local consiste em duas injeções pequenas, uma na pálpebra superior e outra pálpebra inferior. Devido à sedação prévia, a aplicação do anestésico local quase não é sentida. As pálpebras são lavadas cuidadosamente e são cobertas com panos estéreis. Administra-se oxigênio por meio de um tubo de plástico, que é colocado no nariz. É comum que os pacientes cochilem durante a operação, e a maioria tem vaga memória do procedimento realizado.

A Operação

O procedimento inteiro é feito utilizando-se o microscópio cirúrgico. Utiliza-se o trépano, lâmina circular, para cortar e remover o centro da córnea doente. Um “botão” de tamanho semelhante é a seguir removido da córnea do doador. A córnea doadora é então suturada no receptor com fio de nylon finíssimo. Se houver catarata (cristalino opacificado), essa, também, pode ser removida e em seu lugar implantada uma lente intra-ocular, concomitantemente a operação de transplante córnea. Se um olho, previamente operado de catarata, tiver o implante da lente intra-ocular mal posicionado e traumatizando a córnea, este implante defeituoso pode ser substituído por um novo, na hora do de transplante córnea. No final do procedimento, é feito um curativo e colocado um protetor ocular plástico.

Pós-Operatório

A sensação de dor varia de pessoa para pessoa. Tipicamente, há pouca ou nenhuma dor. Quando presente, geralmente, é leve e dura alguns dias, sendo aliviada por analgésicos comuns. O olho operado é reepitelizado, normalmente, por volta de 4 dias. Depois que o curativo for removido, é importante usar algo duro na frente do olho (óculos ou uma proteção de metal) para proteção. Normalmente, os pacientes usam os seus óculos, ou óculos de sol. Deve ser usada uma proteção de metal ao dormir, durante vários meses, a fim de evitar a compressão do olho. São permitidas atividades normais como escovar os dentes, tomar banho, serviço doméstico, caminhar, ler e assistir a televisão. Atividades mais intensas como, levantar, agachar, atividade sexual e exercício algo mais vigoroso podem ser retomadas depois de uma semana. Desde que a córnea nova foi suturada delicadamente no lugar, qualquer toque direto ao olho deve ser evitado. São desencorajados esportes violentos ou de contato físico depois de transplante de córnea. Como a córnea não tem suprimento de sangue, o transplante cicatriza lentamente. As suturas permanecem no lugar durante três meses a um ano e em alguns casos são mantidas permanentemente. Os nós da suturas são sepultados (os nós ficam para dentro da córnea doadora), portanto não causam desconforto. Para reduzir o astigmatismo (forma irregular e ovalada da córnea), pode ser ajustada a tensão da sutura, em três semanas após a cirurgia. Suturas de ajuste ou remoção de suturas, para controle do astigmatismo, são procedimentos simples e indolores. A visão melhora gradualmente. Freqüentemente, a visão torna-se útil dentro de algumas semanas. Porém, em alguns casos, pode levar vários meses a um ano para que se obtenha a melhor visão. Colírios de corticóide e antibiótico são instilados no olho durante vários meses depois da cirurgia, para prevenir a rejeição da nova córnea. Em alguns casos, são mantidos em baixa dosagem definitivamente. Ocasionalmente, outros medicamentos são necessários. É importante, caso necessário, nos chamar imediatamente (inclusive fins de semana, à noite, e feriados) para qualquer sintoma incomum, inclusive vermelhidão, sensibilidade para luzes, perda de visão, ou dor. Halos ao redor de luzes, moscas volantes e perda da visão periférica, também devem ser informados imediatamente. Os cuidados pós-operatórios são extremamente importantes e sem dúvida a parte mais demorada e trabalhosa de um transplante de córnea. O olho é examinado no dia seguinte a cirurgia, várias vezes nas primeiras duas semanas, a intervalos gradualmente mais longos durante o primeiro ano e normalmente anualmente depois disso.

Complicações

Nenhum procedimento cirúrgico está completamente livre de risco. Possíveis complicações incluem astigmatismo, inflamação, infecção, sangramento, descolamento da retina, glaucoma e catarata. Ocasionalmente, a córnea doadora é rejeitada (fica turva). Crescimento de neovasos na córnea, inchaço da córnea, ruptura de pontos, dificuldade para epitelização do transplante, etc. são possíveis de acontecer. Tais complicações podem resultar em redução da visão até para pior que antes da cirurgia. Outros problemas, não diretamente relacionados à cirurgia do transplante, como degeneração macular ou dano do nervo ótico, pela pressão de olho aumentada (glaucoma), são causas de baixa visão, mesmo se o transplante de córnea teve êxito anatômico. Há relatos muito raros, de transmissão de doenças ao receptor pela córnea doadora. Assim como há uma possibilidade remota de morte ou dano cerebral, devido a reações adversas decorrente da anestesia ou dos medicamentos, com qualquer tipo de cirurgia. Pacientes submetidos a qualquer operação devem tecer, assim, considerações abalizadas destes fatos.

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