Exame Oftalmológico em Crianças

Os pais costumam me perguntar com que idade devem trazer seus filhos para uma consulta oftalmológica. Até uma década atrás, recomendava-se a primeira consulta aos 3 ou 4 anos de idade se não houvesse problema visual aparente. Nos casos de estrabismo (desvio dos olhos), baixa visão em um ou nos dois olhos, movimentos anormais do olho, mancha branca na menina do olho, ou quando houvesse “alterações” nos olhos e em seus anexos (pálpebra caída, malformação, etc.), o exame oftalmológico seria então realizado ainda mais cedo. Nos dias atuais esse limite de idade caiu por terra e passou-se a recomendar o primeiro exame já em bebês.

O primeiro exame no recém-nascido visa a diagnosticar tumores intraoculares e alterações congênitas. O mapeamento da retina, exame em que se observa a totalidade da superfície retiniana, pode revelar pequenos tumores, que podem ser adequadamente tratados com preservação do olho e de alguma visão. Numa fase mais avançada da evolução destes tumores, quando surge o “reflexo branco” ou “do olho de gato”, somente a remoção do olho pode tratar o problema e se negligenciados podem, até mesmo levar à morte.

Exames em crianças

Reflexo do olho de gato bilateral: pode indicar retinoblastoma.

A forma de apresentação mais frequente do retinoblastoma, o tumor intraocular maligno primário mais comum na infância, é o de reflexo pupilar branco ou reflexo do “olho de gato”, porém outras formas de apresentação como: estrabismo (desvio dos olhos), glaucoma secundário, uveíte (inflamação intraocular), inflamação orbitária e proptose (olho saltado), heterocromia (olhos com cor diferente) podem ocorrer. O retinoblastoma acomete 1 em cada 20.000 nascidos vivos, costuma ser diagnosticado por volta dos 18 meses de idade e, na grande maioria dos casos, apresenta manifestações clínicas antes dos três anos. Não há predominância de sexo ou raça. Embora o início seja unilateral, em um de cada três casos, ambos os olhos são afetados. O reflexo do “olho de gato” pode surgir não somente em casos de retinoblastoma, mas também, em várias outras condição oculares benignas.

Campanhas educativas têm sido feitas visando o diagnóstico precoce desta enfermidade. Diagnosticado precocemente, a sobrevida para o retinoblastoma atinge, nos dias atuais, índice de 95%, sendo possível preservar alguma visão em 50% dos casos bilaterais e em 25% dos casos unilaterais. Quanto mais precoce o diagnóstico, menor a extensão da doença, maior a taxa de cura e há uma redução importante nas sequelas e nos efeitos colaterais decorrentes da terapêutica, seja a curto ou em longo prazo. O diagnóstico precoce é, pois, o principal aliado na determinação da cura do paciente portador de retinoblastoma.

Cabe então aqui, então, alertar aos médicos, notadamente os pediatras e também aos não médicos (pais, professores, enfermeiras, babás e pessoas que trabalhem com crianças, etc.) para que enviem ao oftalmologista para exame todas as crianças com “defeitos” ou “alterações” nos olhos, o quanto antes. Um teste fácil de realizar é o do reflexo vermelho ou teste do olhinho: com um oftalmoscópio observa-se as pupilas da criança ou do recém-nascido, verifica-se o reflexo pupilar que, normalmente, é vermelho rosado (observe em um retrato o reflexo pupilar obtido pelo flash da máquina fotográfica. É semelhante!).

Alertamos ainda para um outro problema muito comum, a ambliopia. Em uma criança, o desenvolvimento da visão se dá até aproximadamente os 7 anos de idade. Se nesta etapa da vida ocorrerem alterações que impeçam a correta focalização das imagens nítidas na retina, a visão não se desenvolve, tornando-se o olho afetado “preguiçoso”. Desta forma, somente o diagnóstico e o tratamento precoce são as chaves para a restauração e preservação da boa visão em crianças. Quando o tratamento é seguido corretamente, sob orientação médica e na época adequada, a cura ocorre na grande maioria dos casos.

Exames em crianças

Bebê mostrando capacidade de acompanhar visualmente objetos coloridos ou luzes.

Atenção!

Não espere seu filho crescer para levá-lo ao oftalmologista. Pode ser tarde demais.

Pontos importantes:

A colaboração da criança no exame oftalmológico é fator fundamental para o diagnóstico mais preciso.

A partir dos três a quatro anos de idade, todas as crianças estão aptas a contribuir no diagnóstico de doenças oculares. Para isso basta que pais e profissionais estejam preparados para dar ao pequeno paciente o estímulo correto, no momento certo e na quantidade exata. Nesta faixa etária, já são capazes de informar com bastante precisão o quanto enxergam, desde que convenientemente estimuladas.

Os estímulos devem ser sempre positivos. A criança deve sempre estar ciente do que está acontecendo com ela. Jamais deve ser enganada. Ao oftalmologista e à sua equipe cabe tornar o consultório um local agradável e que estimule o lado lúdico infantil. Se necessário nada será feito no primeiro contato com o ambiente de exames, com as enfermeiras e com o médico, salvo estímulos positivos como brincar, mostrar aparelhos e suas luzinhas, etc.

O incentivo a cada resposta correta, durante o exame, deve ser valorizada e o clima de brincadeira deve prevalecer a todo instante desde a primeira consulta ao oftalmologista ou simplesmente “tio”.

O oftalmologista deve a cada exame, dispor de todos os recursos disponíveis para envolver o pequeno paciente, inclusive usando a “velha conhecida” letra E, que é eficaz para determinar a acuidade visual da criança. Para tanto, usa-se um pequeno retângulo onde esta letra está bem desenhada e ensina-se a criança a indicar com a mão para onde estão viradas as “perninhas” da letra (para cima, para baixo, para um lado ou outro). Premia-se ou elogia-se quando a criança acerta ou mostra interesse em brincar desta forma.

Exames em crianças

Letra E de Snellen

Este treinamento é feito em casa repetidas vezes, até que as respostas sejam confiáveis, em diferentes distâncias e, também, tapando-se um e outro olho. Quando a criança for examinada, ela estará mais uma vez “brincando” e o fará alegre e eficientemente. Em casos mais difíceis, a medida da acuidade visual pode ser feita pela própria mãe. Repetir a frase: o Dr. “Fulano” é bonzinho, ele gosta de brincar com você, ele nunca dá remédio ou injeção, etc.; ajuda muito a aceitação. Examinar um irmão mais velho ou mesmo a mãe, antes da criança, para que ela observe, costuma dar excelentes resultados.

Para determinação da acuidade visual em crianças menores (a partir de 2 anos) podemos utilizar desenhos e figuras de tamanhos variados.

Para bebês, procuramos verificar sua capacidade de acompanhar visualmente objetos coloridos ou luzes. Também existem outros testes especiais, raramente aplicados na prática clínica do dia-a-dia.

A interação entre os pais e o oftalmologista deve ser total, tanto que processos comumente realizados no consultório, como a dilatação de pupilas, podem eventualmente ser feitos em casa um pouco antes da chegada ao consultório, mantendo os estímulos positivos, facilitando a aceitação das crianças para consulta a seguir.

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