Cirurgia do Pterígio
Cirurgia do Pterígio com Transplante Conjuntival Utilizando Suturas ou Cola Biológica
O pterígio consiste em um crescimento de tecido fibrovascular semelhante à conjuntiva sobre a córnea do olho. É conhecido popularmente como “carne crescida” e, às vezes, é confundido com “catarata”, embora sejam patologias distintas. O pterígio deixa o olho vermelho, o que costuma gerar queixa estética, e também pode causar ardência, irritação, sensação de corpo estranho, queimação e outros sintomas relacionados às desordens da superfície ocular.
Quando o crescimento sobre a córnea ultrapassa 3 mm, pode haver distorção da curvatura corneana, com repercussão sobre o erro refracional. Se negligenciado, pode ocasionalmente aumentar ainda mais, encobrindo parcial ou totalmente o eixo visual.
Os motivos que levam os pacientes a desejarem a remoção cirúrgica da lesão se referem à estética e à sintomatologia. A indicação do oftalmologista pela realização do procedimento é feita quando há ameaça real à visão ou quando esta já se encontra comprometida. O pterígio que ultrapassa a margem da córnea em 2,5 mm deve ser removido.
Atualmente, a técnica considerada padrão-ouro é a exérese de pterígio com transplante conjuntival, que pode ser fixado ao leito escleral por meio de suturas ou cola biológica (cola de fibrina).
Opções de fixação do enxerto:
- Com suturas: utiliza-se fio absorvível ou não absorvível para estabilizar o enxerto conjuntival. É eficaz, mas pode causar desconforto pós-operatório, sensação de corpo estranho e maior tempo cirúrgico.
- Com cola biológica: a cola de fibrina permite rápida adesão do enxerto, reduz o tempo cirúrgico, proporciona maior conforto pós-operatório e acelera a recuperação. Estudos mostram taxas de recidiva igualmente baixas, comparáveis ou até inferiores às técnicas com sutura.
Essa técnica proporciona excelente resultado estético e taxa de recidiva muito baixa. Outras técnicas mais antigas, como a técnica de esclera nua, conhecida como raspagem, apresentam taxas de recidiva elevadas, o que costuma gerar grande contrariedade para o paciente.
Para diminuir a possibilidade de recidiva, várias alternativas já foram associadas ao tratamento, mostrando-se eficazes, porém com potencial para complicações graves. O uso de radiação (betaterapia) ou drogas como Mitomicina, Tiotepa e 5-Fluoracil pode levar a afinamentos corneano e escleral, necrose escleral, perfurações, retardo de epitelização, ulcerações corneanas, retrações conjuntivais (simbléfaro) e até catarata.
Quando o Transplante de Conjuntiva Não é Indicado
Nem todos os casos podem ser operados com transplante de conjuntiva. Quando existem dois pterígios no mesmo olho, um nasal e outro temporal, quando a lesão é muito extensa e não existem áreas doadoras de conjuntiva sã, quando há simbléfaro ou cicatrização conjuntival acentuada, ou ainda quando pode vir a ser necessária no futuro uma cirurgia filtrante para glaucoma, o transplante de conjuntiva não deve ser realizado.
Nessas situações, uma alternativa é o uso de membrana amniótica humana obtida de parto cesariano. A membrana amniótica possui propriedades antimicrobiana, anti-inflamatória, anticicatricial e antiadesiva, sendo considerada uma excelente opção quando não existe área doadora de conjuntiva, com índices igualmente baixos de recidiva do pterígio.
Rotação de Retalho Conjuntival
Outra técnica cirúrgica de remoção do pterígio que proporciona excelente resultado estético associada a baixa taxa de recidiva é a rotação de retalho conjuntival. Nessa técnica, a conjuntiva superior (bulbar superior) é rodada para ocupar o leito do pterígio previamente ressecado.
Comparação: Sutura vs Cola Biológica na Cirurgia de Pterígio
Tempo cirúrgico:
- Suturas: mais longo, devido à necessidade de pontos.
- Cola biológica (fibrina): mais curto, pois a aplicação rápida da cola reduz a duração da cirurgia.
Conforto pós-operatório:
- Suturas: menor, podendo causar sensação de corpo estranho, desconforto e irritação.
- Cola biológica (fibrina): maior, pois a ausência de pontos proporciona recuperação mais confortável.
Recuperação:
- Suturas: mais lenta, devido ao processo de cicatrização dos pontos.
- Cola biológica (fibrina): mais rápida, com epitelização precoce e menor inflamação.
Taxa de recidiva:
- Suturas: baixa, sendo considerada padrão-ouro.
- Cola biológica (fibrina): igualmente baixa ou até inferior em alguns estudos.
Complicações:
- Suturas: possibilidade de granulomas, desconforto persistente ou necessidade de retirada de pontos.
- Cola biológica (fibrina): raras; há risco mínimo de reação à cola, mas geralmente é bem tolerada.
Custo:
- Suturas: menor, pois não exige materiais adicionais além do fio cirúrgico.
- Cola biológica (fibrina): maior, devido ao uso da cola de fibrina, que pode não estar disponível em todos os centros.
Indicação preferencial:
- Suturas: situações em que não há acesso à cola biológica ou quando o custo é limitante.
- Cola biológica (fibrina): quando se busca maior conforto pós-operatório e recuperação mais rápida.
Em resumo:
- Ambas as técnicas são eficazes e seguras, com baixa recidiva.
- A cola biológica traz vantagens em tempo cirúrgico e conforto pós-operatório, mas tem custo mais elevado.
- As suturas continuam sendo uma opção sólida, especialmente em locais onde a cola não está disponível.