Transplante de Córnea

Transplante de Córnea

Embora o primeiro transplante de córnea tenha sido realizado há mais de 100 anos por Eduard Zirm, o sucesso consistente só foi alcançado nas décadas de 1950, com os trabalhos pioneiros do Dr. Ramón Castroviejo. Desde então, o transplante de córnea tornou-se o mais bem-sucedido entre os transplantes de tecidos humanos. A córnea, tecido transparente localizado na parte anterior do olho, desempenha papel essencial tanto na proteção das estruturas internas quanto na refração da luz em direção à retina.

Evolução das Técnicas

Tradicionalmente, o procedimento realizado era a ceratoplastia penetrante, na qual toda a espessura da córnea danificada é substituída por tecido doador. Nos últimos anos, entretanto, técnicas lamelares ganharam destaque, pois permitem substituir apenas as camadas comprometidas da córnea, preservando o tecido saudável do paciente e reduzindo riscos de rejeição e complicações.

Principais Técnicas Lamelares

  • DALK (Deep Anterior Lamellar Keratoplasty): indicada para doenças que afetam o estroma anterior, como o ceratocone avançado. Preserva o endotélio do paciente, diminuindo o risco de rejeição endotelial.
  • DSEK/DSAEK (Descemet Stripping Automated Endothelial Keratoplasty): substitui o endotélio e a membrana de Descemet, indicada em casos de falência endotelial.
  • DMEK (Descemet Membrane Endothelial Keratoplasty): técnica mais refinada, substitui apenas a membrana de Descemet e o endotélio. Proporciona recuperação visual mais rápida e melhor qualidade óptica, embora seja tecnicamente mais desafiadora.

Indicações

Os transplantes corneanos são indicados para restaurar a transparência da córnea, aliviar dor, proteger estruturas internas e melhorar a estética ocular. Entre as principais causas estão: ceratocone avançado, distrofias corneanas, falência endotelial, como na distrofia de Fuchs, complicações pós-cirurgia de catarata, infecções graves e traumas.

Considerações Atuais

  • As técnicas lamelares representam um avanço significativo, pois reduzem o tempo de recuperação, o risco de rejeição e preservam maior integridade estrutural do olho.
  • A escolha entre ceratoplastia penetrante e lamelar depende da camada corneana afetada, da experiência do cirurgião e das características individuais do paciente.
  • O acompanhamento pós-operatório continua sendo fundamental, com uso prolongado de colírios imunossupressores e consultas regulares para monitorar complicações.

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