Miopia
Na visão normal, os raios de luz são focados diretamente sobre a retina, permitindo imagens nítidas. No olho míope, o globo ocular é mais longo, fazendo com que os raios de luz paralelos (vindos de longe) se concentrem antes da retina, resultando em visão desfocada para longe, mas clara para perto.
Sinais e Sintomas:
- Dificuldade para enxergar objetos distantes.
- Necessidade de franzir os olhos para melhorar a nitidez.
- Crianças que se aproximam excessivamente de livros ou telas.
Tipos:
- Miopia simples: variação fisiológica, geralmente estabiliza até os 20 anos.
- Miopia patológica (alta miopia): progressiva, sem limite definido, podendo causar complicações como degeneração macular e descolamento de retina.

Fundo de olho alto míope
Correção com Óculos
- Lentes divergentes (côncavas) reposicionam a imagem sobre a retina.
- Avanços tecnológicos trouxeram lentes mais leves, finas e resistentes.
- Opções incluem tratamento anti-reflexo, proteção UVA/UVB, filtro para luz azul e lentes fotossensíveis.
Correção com Lentes de Contato
- Disponíveis em versões gelatinosas (uso diário ou prolongado), descartáveis (mensais ou de uso diário) ou rígidas.
- Podem ser adaptadas para miopia associada a astigmatismo.

Lente de contato gelatinosa
Correção Cirúrgica
1. Miopia até 9 Dioptrias
A cirurgia refrativa é indicada para pacientes que desejam reduzir a dependência de óculos ou lentes de contato. Para ser candidato, é essencial que a córnea esteja saudável e que o grau refrativo esteja estabilizado, geralmente após os 21 anos. Antes da cirurgia, são realizados exames como refração sob cicloplegia (que avalia a estabilidade do erro refrativo), topografia corneana, biometria da córnea e o exame de tomografia da córnea (Pentacam), que avaliam a curvatura, elevação anterior e posterior, além da espessura da córnea, garantindo segurança e eficácia no procedimento.

Cirurgia refrativa (esquema da técnica LASIK). Cria-se uma fatia de córnea pediculada (F), utilizando-se um instrumento, microcerátomo (M). A seta mostra a direção do movimento da lâmina cortante (B). A seguir o laser é aplicado no leito do flap para corrigir o erro refracional.
- PRK (Photorefractive Keratectomy): técnica indicada para miopias e astigmatismos baixos, remodela a córnea sem criar flap.
- LASIK (Laser Assisted Keratomileusis): mais usado em graus moderados a altos, cria um flap corneano e aplica o laser internamente.
- Z-LASIK: versão avançada do LASIK, utiliza laser de femtosegundo para maior precisão e segurança no corte do flap.
- SMILE (Small Incision Lenticule Extraction): técnica minimamente invasiva, sem flap, remove um disco interno da córnea por microincisão.
O LASIK substituiu o PRK em muitos casos, mas técnicas de superfície voltaram a ser utilizadas com o uso da Mitomicina, que reduz complicações como o "haze".
Em nossa Clínica, a opção utilizada é o Z-LASIK, uma técnica moderna e precisa de cirurgia refrativa. A indicação depende de critérios bem definidos: o paciente deve apresentar córnea com espessura e curvatura dentro de limites seguros, além de não possuir doenças oculares que possam comprometer o resultado. Essa seleção cuidadosa garante maior segurança e eficácia no procedimento.
2. Alta Miopia (acima de 9 Dioptrias)
- Implante de lentes intraoculares (câmara anterior ou posterior): As lentes fácicas são implantadas dentro do olho, mantendo o cristalino natural. Elas são indicadas principalmente para pacientes jovens com altos graus de miopia que não podem se beneficiar de técnicas corneanas como LASIK ou SMILE devido à espessura ou irregularidade da córnea.
- Extração do cristalino transparente com facoemulsificação e implante de lente intraocular: Consiste em remover o cristalino natural, ainda claro, e implantar uma lente intraocular com o grau adequado. Tradicionalmente, era indicado para pacientes acima de 50 anos com miopia muito alta (acima de 12 dioptrias). Em jovens, porém, seu uso é controverso devido ao maior risco de complicações, especialmente o descolamento de retina em olhos muito míopes.
Considerações Importantes na alta miopia
A decisão de operar alta miopia deve ser cuidadosamente ponderada devido ao risco elevado de complicações intra e pós-operatórias como o descolamento de retina.
- Idade: preservar acomodação em pacientes jovens.
- Paquimetria: manter espessura mínima de estroma para evitar ectasia corneana.
- Contagem endotelial: essencial em cirurgias intraoculares. Evitar operar quando houver baixa contagem de células endoteliais por mm2.
- Cristalino: Em pacientes acima de 50 anos, a remoção do cristalino transparente passa a ser considerada principalmente quando há opacificação, ou seja, início de catarata
Em resumo: a miopia pode ser corrigida com óculos, lentes de contato ou cirurgia refrativa. A escolha depende da idade, do grau da miopia, da saúde ocular e das expectativas do paciente. Hoje, técnicas como LASIK, Z-LASIK, PRK com Mitomicina, SMILE e implantes de lentes intraoculares oferecem alternativas seguras e eficazes, mas exigem avaliação oftalmológica detalhada.