Descolamento de retina regmatogênico
A retina é uma fina camada de tecido nervoso sensível à luz que recobre o fundo do olho. Ela transforma os raios luminosos em sinais elétricos que são enviados pelo nervo óptico ao cérebro, permitindo a visão.
Normalmente, a retina está aderida à superfície interna do olho. Quando ocorre uma rotura (rasgo), o líquido intraocular pode penetrar por trás da retina, separando-a de sua base (epitélio pigmentar). Esse processo é chamado de descolamento de retina regmatogênico (DR). É como um papel de parede que se solta de uma parede úmida: a retina descolada perde sua função e a visão escurece.

Descolamento de retina (DR):neste caso ocorreu a separação da retina do seu leito devido a uma ruptura gigante.
Fatores de risco
O DR é mais frequente em:
- Pessoas com alta miopia.
- Indivíduos com histórico familiar de DR.
- Pacientes que já tiveram DR em um olho (o risco aumenta para o outro).
- Após traumatismos oculares.
- Após cirurgia de catarata ou aplicação de YAG laser.
Em pessoas sem esses antecedentes, o DR é raro (cerca de 1 caso em cada 10 mil). Pode ocorrer também em indivíduos com fragilidade congênita da retina.
Sintomas
- Sombra escura no campo visual, como uma cortina que se fecha.
- Flashes luminosos.
- Moscas volantes (manchas móveis).
- Não há dor.
Nem sempre flashes ou moscas volantes indicam DR, mas se forem intensos, progressivos e acompanhados de perda visual, é necessário procurar um oftalmologista com urgência.
Tratamento
O tratamento cirúrgico do descolamento de retina regmatogênico evoluiu bastante nos últimos anos: atualmente, a vitrectomia pars plana é a técnica mais utilizada, enquanto a introflexação escleral e a retinopexia pneumática permanecem como opções em casos específicos. O sucesso anatômico gira em torno de 85–90%, mas a recuperação visual depende do tempo em que a mácula ficou descolada.
Principais técnicas cirúrgicas
1. Vitrectomia pars plana
- Como funciona: remove o vítreo tracionado e utiliza gás expansível ou óleo de silicone para reposicionar a retina.
- Indicações: casos complexos, múltiplas roturas, descolamentos extensos ou envolvendo a mácula.
- Vantagens: técnica versátil, permite tratar complicações associadas; recuperação mais rápida com instrumentais modernos.
- Limitações: pode exigir troca de óleo/gás; risco de catarata secundária.
2. Introflexação escleral

Cirurgia DR: introflexão escleral
- Como funciona: coloca-se uma faixa ou implante de silicone na esclera, aproximando a retina ao epitélio pigmentar.
- Indicações: pacientes jovens, roturas periféricas.
- Vantagens: técnica consolidada, boa taxa de sucesso em casos selecionados.
- Limitações: menos utilizada atualmente; maior desconforto pós-operatório.
3. Retinopexia pneumática
- Como funciona: injeção de uma bolha de gás dentro do olho para selar a rotura e reposicionar a retina.
- Indicações: descolamentos simples, rotura única localizada na parte superior da retina.
- Vantagens: minimamente invasiva, realizada sob anestesia local.
- Limitações: menor taxa de sucesso em casos complexos; exige posicionamento rigoroso da cabeça no pós-operatório.
Avanços recentes
- Instrumentais de pequeno calibre (25–27 gauge): reduzem tempo cirúrgico, dispensam abertura da conjuntiva e aceleram recuperação.
- Tamponamento com gases expansíveis de longa duração: maior estabilidade da retina.
- Óleo de silicone de baixa viscosidade: facilita remoção em cirurgias subsequentes.
- Cirurgia combinada com catarata: em pacientes mais velhos, evita múltiplos procedimentos.
Pós-operatório
- Taxa de sucesso anatômico: cerca de 90%.
- Recuperação visual: depende da extensão do descolamento e do tempo de comprometimento da mácula. Quanto mais precoce a cirurgia, maior a chance de recuperar visão central.
- Cuidados: repouso relativo, uso de colírios anti-inflamatórios, controle da posição da cabeça (quando gás é utilizado).
- Complicações possíveis: catarata, hipertensão ocular, recorrência do descolamento.
Prevenção
- Pacientes com alto risco (miopia elevada, histórico familiar, DR prévio) devem realizar acompanhamento regular.
- Lesões predisponentes podem ser tratadas preventivamente com laser ou crioterapia.
- O DR não ocorre por esfregar os olhos ou levantar peso.
Auxílios ópticos para visão subnormal
Em casos de baixa visão após DR, existem recursos para aproveitar a visão residual:
- Lupas de leitura.
- Óculos especiais.
- Telelupas e equipamentos eletrônicos.
Esses auxílios ajudam a manter autonomia e qualidade de vida.
Mensagem ao paciente: O descolamento de retina é uma emergência oftalmológica! Ao perceber sombra escura, flashes ou perda visual súbita, procure imediatamente um especialista. A cirurgia deve ser realizada o mais rápido possível para preservar a visão. Hoje, a vitrectomia é a técnica mais empregada, mas a escolha depende das características do caso. O acompanhamento pós-operatório é essencial para garantir o sucesso e reduzir complicações.