Blefarite

A blefarite é uma inflamação crônica das pálpebras que continua sendo tratada principalmente com higiene palpebral diária e compressas mornas, mas hoje se reconhece o papel de bactérias, ácaros Demodex e disfunção das glândulas de Meibomius como causas importantes. O manejo atualizado inclui, além da limpeza, uso criterioso de antibióticos tópicos ou orais, corticoides tópicos em casos selecionados e até antiparasitários quando há infestação por Demodex.

Blefarite

A blefarite é uma inflamação crônica das bordas palpebrais.

Tipos e Causas

  • Blefarite anterior: afeta a base dos cílios, geralmente causada por bactérias (estafilococos) ou dermatite seborreica.
  • Blefarite posterior: ligada à disfunção das glândulas de Meibomius, frequentemente associada à rosácea.
  • Outros agentes: ácaros Demodex, vírus (herpes simples, varicela-zóster) e reações alérgicas.

Sintomas principais

  • Ardência, prurido e sensação de corpo estranho.
  • Crostas e escamas nos cílios.
  • Vermelhidão persistente da margem palpebral.
  • Olho seco evaporativo, intolerância a lentes de contato.
  • Complicações possíveis: terçol, calázio, triquíase (cílios invertidos), ulceração corneana.

Tratamento

  • Higiene palpebral: continua sendo o pilar do tratamento. Uso de lenços específicos, cotonetes ou escovinhas para remover crostas diariamente.
  • Compressas mornas: recomendadas para fluidificar secreções das glândulas de Meibomius (mais eficazes que compressas frias).
  • Antibióticos tópicos: indicados em blefarite ulcerativa ou refratária.
  • Antibióticos orais: tetraciclinas (como doxiciclina) ou azitromicina em casos crônicos resistentes.
  • Corticosteroides tópicos: usados com cautela e por períodos curtos em inflamações intensas.
  • Antiparasitários tópicos: como ivermectina ou metronidazol, em casos de infestação por Demodex.
  • Tratamento de doenças associadas: rosácea, dermatite seborreica ou alergias devem ser controladas para reduzir crises.

Recomendações práticas

  • Evite automedicação: sempre consulte um oftalmologista antes de usar pomadas ou colírios.
  • Higiene constante: lave rosto e mãos, mantenha cílios limpos diariamente.
  • Evite cosméticos: maquiagem nos olhos pode agravar a inflamação.
  • Controle fatores agravantes: frio ou calor excessivo, alimentos gordurosos, estresse físico ou emocional.
  • Tratar caspa e dermatite: uso de xampus específicos ajuda a reduzir recorrência.

Em resumo: A blefarite é uma condição crônica que exige tratamento contínuo e disciplinado. A grande novidade nos últimos anos é o reconhecimento da participação de Demodex e da disfunção das glândulas de Meibomius, o que ampliou as opções terapêuticas além da higiene e antibióticos. O acompanhamento regular com oftalmologista é essencial para evitar complicações e manter qualidade de vida.

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